12 de maio de 2007

Revisita

Decidir e ir? Pensar depois ir? Não ir pra pensar? Pensar pra se decidir? Pensar se devo ir? Não ir? Volto? Por que vim? Parar de pensar? Por que não iria? Fui? Fui mesmo? Fui! Por que fui? Porque não pensei? Por que não voltei? Depois por que fiquei? Fui eu quem fui? Fui eu quem ficou? Foi querida! Foi.

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Revisita da velha senhora

Um lugar de Déjà vu , música em compassos simétricos, paisagem monótona. Tudo combinava com as minhas roupas, só que as da estação anterior, outras épocas, moda daquelas fotos amarelas. Sabia de onde vinha o cheiro e a temperatura era estável, mediana, sem vento nem sol. Os móveis estavam no mesmo lugar.
Contudo não me coube nesse cômodo, por isso não sei porque vim nem o caminho que tomei. Só me lembrou do que eu fui, do eu já fiz, do que já senti, de como enxergava sem lentes. Turvo, embassado, não preciso. Da era que eu era. Tantas coisas antigas, me fez sorrir e até cantar canções que não lembro mais a letra. Sem supresas nem imagens inusitadas, como uma face familiar em que não há mais nada de novo, nem interesse de investigar. Vi de novo o que é, o que foi e o que deixei.
Quase de saída vi um ponto na multidão e me esqueci de olhar pra baixo, onde pisava, rumo ao caminho de volta. Daí tropecei, um impulso alheio e súbito me fez cair. Cabeça na parede. Cabeça nas nuvens. Pés numa poça seca que impregnou com poeira. Um solavanco que na verdade me fez cair em mim e perceber que admiro ruínas e casinhas pequenas que não me cabem. Descobri que voltei pra buscar coisas guardadas, pra me sentir amada e embalada. Coisas por mim outrora amadas mas que, precisam hoje ser embaladas e verdadeiramente guardadas. Vi que ainda tenho o costume de fazer faxinas mal feitas e pra baixo do tapete empurrar. Entendi que é minha culpa de cair, esconder, adiar, retonar, iludir, tropeçar, ir, não ir, acertar, errar, não se decidir e ainda sim se continuar.

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