Que lugar doce e gentil é a cidade. Tão repleta de árvores e banquinhos duros para acolher um velhinho curvado com seu violão tocando canções que lembram sua terra... sentado numa sombra de costas para o rush, parece uma estátua triste que tenta reviver, mas está surdo.
Consola a velhinha que caminha em passos doloridos nos canteiros artificiais carinhosamente montados, com flores formatadas em numa mesma cor, capim seco e rodeado de todos os lados por massas cinzentas... ela caminha sorrindo com sua filha apressada e seu cachorro atrofiado, como se fizesse uma procissão para seu santo de cabeceira.
E eles voltam, se despedem do melhor acontecimento do dia na cidade gentil, sobem numa caixa que se move verticalmente, entram novamente em sua caixa com divisórias e ligam finalmente sua caixa trasmissora de felicidade enlatada.
Tanto concreto planejado espreme vagarosamente as sutilezas do envelhecer, as minudências da experiência modesta, da contemplação, das longas conversas na praça, das cantigas gasguitas, das canções de duas notas repetidas todos os dias pelas pessoas que morreram simplesmente de repente. Receio ver daqui algum templo placas e outdoors com mais gentilezas oferecidas nessa cidade: "Faz-se companhia para velhinhos solitários", "Escuta-se histórias antigas com mais de 10 minutos", "Caminho com seus avós. Preço a combinar", "Penteio cabelo de senhoras", "Cuido dos seus pais para você"
Cruel como um pensamento medroso pode ser. Talvez uma premonição não acertiva. Uma constatação preciptada e ingênua.... esse senhor, essa senhora, anuncios como esses...
Mas sejamos próximos, calorosos... calor, afeto, afeto por favor! Gentileza real!
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