Quer colo manso mas rejeita o ganso
O acha um sonso, um pastelão.
Cata coquinho para fazer um barquinho
Quer atravessar o mar, deixar seu mundinho
Não mais servem os laguinhos, nem viver de biquinhos
Junta grãos do chão num saquinho para alcançar a paixão
Pasta como vaca beija sapo e gavião
Como se tivesse pedra ao invés de coração
Mas tem uma paixão que não é comum, é humana, de ilusão.
Quer ser feliz do outro lado
Não quer destino traçado de ser pato, que confusão
Quer ser artista de cinema, de teatro ou de televisão.
Mas a coitada da patinha, não voa feito avião
Não atravessará o mar nem irá longe nessa lentidão
Não vai ser musa, pois tem penas ao invés de um corpão.
A coitada da bichinha vai morrer de depressão.
Em outro conto seria trágico
Mas falando só bobos patos não passa de uma comedia de fatos.
Baseado em patos reais.
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