Ainda hoje quero ser em nome D. Compor uma música miúda sobre o Q. Escrever sobre a poesia pequena de coisas e imagens que me passam num sei "porquê".
Homens cochilando na hora de cesta como difuntos debaixo de caminhões, numa sombra quente.
Uma mulher descabelada, arrepiada, maquiada e de boca borrada, dirigindo um carro sem as mãos enquanto acende um cigarro apressada. Se enforcaria com aquele cabelo escuro e feio. Como num filme de Almodóvar. Aliás queria hoje ser isso, uma mulher de um filme de Almodóvar. Cintura fina, roupas decotadas, sensual, mulher de trinta, madura e louca. Muito batom e pouco senso. Faz-me rir com olhos molhados.
Quero falar do que me passam esses batons vermelhos que não ficam bem em ninguém, daquele gosto de sabão. Do vinho com gosto de poeira. Do medo de quebrar o cristal de uma morta querida. Dos calafrios que sinto quando penso racionalmente no sentido da vida.
Quem me dera explicar meus sonhos absurdos em 3 frases simples. Dizer o quanto me emociona receber um sorriso do filho de uma mãe rabugenta.
Dizer tudo, sem precisar dizer tanto. Dizer sentindo, dizer mostrando, fazê-los imaginar.
Aff! Quanto palavreado.
Afastado de tudo quanto me pinta na mente, nos poros e no coração.
Nenhum comentário:
Postar um comentário